Diversidade religiosa

9 ações para criar um ambiente de trabalho favorável à fé (parte 3 de 3)

Esta é a terceira e última parte de uma série de três blogs que explora a diversidade religiosa: conceitos-chave, fatos, barreiras e facilitadores. Embora este seja um tema com muitas implicações legais, estou me concentrando no conhecimento e nos comportamentos de liderança, além dos requisitos legais mínimos, que o capacitarão a atrair e engajar pessoas de todas as religiões, incluindo pessoas sem religião.

Hoje, estou propondo nove hábitos de liderança inclusivos para criar um ambiente de trabalho favorável à fé.

Os hábitos de liderança descritos abaixo seguem o Modelo Hélice de Liderança Inclusiva©. Este modelo capacita líderes e gestores empresariais a navegar pelas diferenças humanas com tranquilidade, aplicando consistentemente três habilidades: justiça, empatia e proatividade. Mais informações sobre ele em meu livro “Tenha sucesso como um líder inclusivo – Hábitos de liderança vencedores em um mundo diverso.”

Justiça – Você está sendo justo?

1- Identificar e desafiar preconceitos religiosos

Somos propensos a preconceitos, especialmente em relação a pessoas que exibem sinais visíveis de prática religiosa, como o uso do véu ou da kipá. Uma boa pergunta para trazer objetividade a esse tópico emocional é: "Como a religião dele(a) afeta sua capacidade de realizar o trabalho?". Geralmente não afeta.

2- Utilize um processo estruturado para avaliar solicitações religiosas

Você viu no artigo anterior um conjunto de seis perguntas para usar sempre que um membro da equipe tiver uma solicitação de acomodação religiosa: A solicitação afeta negativamente a capacidade do funcionário de realizar seu trabalho? Impacta negativamente os negócios? Compromete a saúde, a segurança ou a proteção? Desvantagem para outros funcionários ou clientes? Viola as leis de igualdade? Infringe a liberdade de crença de outros funcionários? Este conjunto de perguntas ajudará você a evitar considerações pessoais sobre as práticas religiosas das pessoas e a tratar todos com coerência.

Empatia – Você está tratando os outros como eles gostariam de ser tratados?

3- Esteja aberto a acomodar as práticas religiosas dos funcionários

Em um dia normal de trabalho (das 9h às 17h), os muçulmanos que rezam geralmente rezam duas vezes: na hora do almoço (13h) e no final da tarde (16h). Se as pessoas desejarem usar o intervalo para rezar, seja flexível. Rezar não leva mais tempo do que fumar. Se possível, informe às pessoas que podem usar uma sala silenciosa para rezar. Pode ser uma sala de reuniões vazia, por exemplo. Você não precisa fazer isso. Mas por que não fazê-lo se houver um local silencioso disponível e permitir seu uso para orações não atrapalhar os negócios ou outros? Mas certifique-se de não atribuir uma sala a uma religião específica. Salas silenciosas devem ser para pessoas que praticam todas as religiões. Na Suécia, vi uma fábrica cujos índices de engajamento e produtividade dos funcionários aumentaram depois que o diretor da obra criou uma sala de orações. Às sextas-feiras, os judeus podem querer sair mais cedo para o Shabat. Se for viável, para o negócio e para a equipe, eles podem trabalhar horas extras em outro dia para compensar. Converse com a equipe sobre o jejum durante o Ramadã. Discuta se é útil realizar reuniões pela manhã ou no início da tarde ou deixar a equipe terminar mais cedo se não houver intervalo para almoço.

4- Considere os pedidos de feriados por motivos religiosos como qualquer outro pedido

O que significa aceitar uma solicitação se ela não impactar negativamente as necessidades da empresa ou de outros membros da equipe. Antecipar os feriados o máximo possível é uma boa prática, mesmo que você tenha apenas ateus na sua equipe.

5- Verifique o calendário de festas religiosas ao planejar eventos e reuniões

Não agende eventos em datas religiosas importantes. Você não precisa levar tudo em consideração, mas pelo menos os principais feriados religiosos, como a Semana Santa (cristãos), Diwali (hindus), Páscoa (judeus) e Eid al-Fitr (muçulmanos). Vi uma empresa organizando a convenção anual de liderança durante a Páscoa, o que fez com que diretores judeus se sentissem excluídos. Acabei de voltar de um treinamento em que um diretor financeiro católico praticante reclamou sobre um grande evento da empresa estar sendo organizado durante a Semana Santa.

6- Considere restrições alimentares

Se você estiver organizando uma refeição, pergunte se as pessoas têm alguma restrição alimentar (não é necessário mencionar religião aqui). De qualquer forma, essa é uma boa prática, já que muitas pessoas são vegetarianas, veganas ou têm alergias alimentares hoje em dia. Se não puder perguntar, ofereça uma variedade de alimentos. Você não precisa oferecer Halal ou Kosher, mas, se oferecer, certifique-se de que também haja opções para quem não come Halal ou Kosher. Se for servido álcool, certifique-se de que bebidas não alcoólicas também estejam disponíveis. Ao organizar reuniões sociais relacionadas ao trabalho, lembre-se de que nem todos os funcionários se sentem confortáveis em ir a locais onde o álcool é servido, como pubs e bares. Vocês podem variar os lugares que frequentam juntos como equipe.

7- Esteja atento aos valores de modéstia das pessoas

Por motivos religiosos, algumas pessoas podem querer evitar contato visual ou de pele com pessoas do sexo oposto, cobrir-se (véu) ou evitar certos tipos de roupas (muito justas ou muito curtas). Seja flexível, mas, ao mesmo tempo, certifique-se de que os outros membros da equipe não se sintam discriminados. Por exemplo, se um homem não quiser apertar a mão de mulheres, dependendo da cultura do seu país, você pode aconselhá-lo a evitar apertar a mão de todos, para garantir a igualdade.

Proatividade – Você está acelerando mudanças positivas?

8- Aumente a conscientização da sua equipe sobre a diversidade religiosa

Compartilhe com os membros da sua equipe o que você aprendeu neste capítulo. Durante festividades religiosas importantes, peça aos membros da equipe que se sintam confortáveis em realizá-las que expliquem o que isso significa para eles e como as praticam. Certa vez, uma colega indiana explicou à equipe, durante uma reunião de rotina, o que o Diwali significava para ela e como ela o celebrava. Outra membro israelense da equipe compartilhou com a equipe as receitas que ela preparou durante o Shabat. Todos gostaram, e os colegas que compartilharam suas tradições se sentiram valorizados.

9- Utilize eventos religiosos para fortalecer as relações dentro da equipe

Em algumas organizações, para evitar discriminação, as pessoas pararam de comemorar tudo, inclusive o Natal. Não acho que essa seja uma abordagem positiva. Celebrem juntos, como equipe, sempre que possível. Já vi muçulmanos levando doces para o local de trabalho para celebrar o fim do Ramadã com colegas não muçulmanos, e todos ficaram emocionados. Já vi líderes desejando Feliz Diwali aos seus colegas hindus e sikhs, e eles apreciaram. Você pode servir de exemplo e incentivar esse tipo de comportamento.

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Este é um trecho de um dos capítulos do meu livroTenha sucesso como um líder inclusivo – Hábitos de liderança vencedores em um mundo diverso”. Você pode baixar gratuitamente o capítulo de amostra “Apoiando a integração entre vida profissional e pessoal” clicando aqui.Este artigo foi publicado no meu blog e no Huffington Post. Para receber meus artigos e atualizações diretamente na sua caixa de entrada, inscreva-se no meu boletim informativo.

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Sinta-se livre para entre em contato comigo sobre o Grupo de reflexão sobre liderança inclusiva, um workshop inovador que capacita líderes empresariais a modelar comportamentos de liderança para impulsionar a inclusão e o desempenho.

SOBRE O AUTOR

COMPOSTO THAIS é autora, palestrante, instrutora e consultora premiada, especializada em inclusão e diversidade há 18 anos. Ela ajuda organizações a construir culturas inclusivas e equipes diversas para que possam aumentar o engajamento, a produtividade, a inovação e as vendas. Ela é CEO da Déclic International, uma consultoria global que criou em 2016, após liderar as estratégias de inclusão e diversidade de três empresas da Fortune 500. Ela também é autora do livro livro “Tenha sucesso como um líder inclusivo”, palestrante do TEDx, fundador da 1s Inclusive Leadership Global Conference e colaborador regular do Huffington Post.

 

 

 

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