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3 fatos e 5 barreiras relacionadas à diversidade religiosa (parte 2 de 3)
Esta é a segunda parte de uma série de três blogs que explora a diversidade religiosa: conceitos-chave, fatos, barreiras e facilitadores. Embora este seja um tema com muitas implicações legais, estou me concentrando no conhecimento e nos comportamentos de liderança, além dos requisitos legais mínimos, que o capacitarão a atrair e engajar pessoas de todas as religiões, incluindo pessoas sem religião.
Hoje, vamos analisar os principais fatos e barreiras relacionadas à diversidade religiosa.
Três fatos sobre religião
1- A hostilidade religiosa está aumentando
Por exemplo, nos EUA, o número de acusações relacionadas à discriminação religiosa aumentou em cinquenta por cento entre 2005 e 2015.[eu] No Reino Unido, entre 2014 e 2015, houve um aumento de 43% nos crimes de ódio relacionados à religião.[ii] O Eurobarômetro de 2015 sobre discriminação observa um aumento do antissemitismo e da islamofobia na Europa.[iii]
2- A maioria dos pedidos religiosos são facilmente atendidos
Por exemplo, na França, em 85% dos casos, os pedidos religiosos são facilmente gerenciados.
3- Afastar-se por motivos religiosos é o pedido mais popular
Por exemplo, na Bélgica (21% das acomodações) e na França (40% das acomodações), esse é o principal tipo de acomodação relatado pelas empresas.[4]
Cinco barreiras principais para a construção de um ambiente favorável à fé
1- Viés religioso
Cinquenta por cento dos europeus (76% dos franceses e 48% dos britânicos) acreditam que a discriminação religiosa é generalizada. Um em cada oito europeus (treze por cento) afirma que se sentiria desconfortável trabalhando com um muçulmano. Esse número é maior do que o de qualquer outro grupo religioso.[v]
2- Atitude de julgamento
Religião pode ser um assunto delicado, pois algumas pessoas têm opiniões fortes sobre ela. No ambiente de trabalho, algumas pessoas tendem a julgar o comportamento dos outros de acordo com seus próprios valores pessoais. Se concordam com uma prática, a aceitam; se acham que não faz sentido, a rejeitam. Essa não é uma boa atitude. Como líder inclusivo, você deve analisar as práticas religiosas objetivamente (veja a estrutura acima), independentemente de suas opiniões pessoais.
3- Falta de princípios orientadores
Muitos gestores que se deparam com solicitações religiosas sentem-se perdidos. Tendem a acomodar todas as práticas por medo de discriminação, mesmo quando tais práticas prejudicam outros funcionários e a empresa. Ou rejeitam todas as acomodações para tratar todos da mesma forma, sem perceber o impacto negativo sobre aqueles que têm necessidades religiosas específicas. Às vezes, gestores discriminam funcionários e candidatos em nome de seus clientes ou de seus funcionários, acreditando que esse é um motivo válido, quando não é. Há alguns anos, uma colega minha marroquina me contou que, enquanto procurava emprego, os recrutadores lhe diziam que, embora ela fosse uma boa opção para a vaga, seus clientes não gostariam de lidar com uma mulher usando véu.
4- Suposições sobre práticas religiosas
Muitas vezes, os gerentes não sabem muito sobre outras religiões ou tendem a fazer suposições. Durante uma visita a uma fábrica no Reino Unido, conheci um líder de equipe sikh que me disse que seu gerente havia criado uma sala de orações para ele, acreditando que os sikhs precisam orar como os muçulmanos quando não é o caso. Além disso, nem todos os que seguem uma religião seguem as mesmas práticas e podem diferir consideravelmente em seu nível de observância. Por exemplo, nem todos os muçulmanos praticam o Ramadã, nem todos os judeus praticam o Shabat, nem todos os cristãos descansam aos domingos.
5- Equívocos sobre o secularismo
Em países como a França, o secularismo é um valor importante. Isso significa que o Estado não tem religião e garante a liberdade de religião para todos. Assim, os funcionários públicos, como representantes do Estado, são obrigados a ser neutros, ou seja, a não exibir quaisquer sinais religiosos visíveis. Isso não se aplica a funcionários de empresas privadas. No entanto, muitas pessoas acreditam que manifestações religiosas visíveis não são permitidas em empresas, ou mesmo em espaços públicos, o que é incorreto.
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Este é um trecho de um dos capítulos do meu livro “Tenha sucesso como um líder inclusivo – Hábitos de liderança vencedores em um mundo diverso”. Você pode baixar gratuitamente o capítulo de amostra “Apoiando a integração entre vida profissional e pessoal” clicando aqui. Este artigo também foi publicado no meu blog e no Huffington Post. Para receber meus artigos e atualizações diretamente na sua caixa de entrada, inscreva-se no meu boletim informativo.
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SOBRE O AUTOR
COMPOSTO THAIS é autora, palestrante, instrutora e consultora premiada, especializada em inclusão e diversidade há 18 anos. Ela ajuda organizações a construir culturas inclusivas e equipes diversas para que possam aumentar o engajamento, a produtividade, a inovação e as vendas. Ela é CEO da Déclic International, uma consultoria global que criou em 2016, após liderar as estratégias de inclusão e diversidade de três empresas da Fortune 500. Ela também é autora do livro livro “Tenha sucesso como um líder inclusivo”, palestrante do TEDx, fundador da 1s Inclusive Leadership Global Conference e colaborador regular do Huffington Post.
[i] http://enar-eu.org/IMG/pdf/anti-semitism_briefing_2017.pdf
[i] https://www.eeoc.gov/eeoc/statistics/enforcement/religion.cfm.
[ii] http://www.ukyouthparliament.org.uk/campaign/racism-and-religous-discrimination.
[iii] Eurobarómetro – Discriminação na UE em 2015, Comissão Europeia, 2015.
[4] Práticas religiosas na empresa: Que realidade? Quais são as remontagens do terreno? IMS – Charte de la Diversité, setembro de 2013.
[v] Eurobarómetro – Discriminação na UE em 2015, Comissão Europeia, 2015.