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Técnicas práticas de interrupção de preconceitos: perguntas, padrões e estratégias do mundo real para líderes inclusivos
Como líderes inclusivos, reconhecer nossos preconceitos inconscientes é apenas metade da batalha. O verdadeiro desafio está em desenvolver ferramentas e técnicas práticas que nos ajudem a interromper preconceitos em tempo real, durante decisões e conversas de liderança. Precisamos de estratégias que funcionem no momento presente – quando estamos em reuniões de planejamento de sucessão, avaliações de desempenho ou discussões sobre contratação.
Deixe-me compartilhar algumas técnicas poderosas que transformaram a maneira como eu e outros líderes abordamos a interrupção de preconceitos em nossa prática diária de liderança.
O poder das perguntas como interruptores de preconceitos
Perguntas são talvez as nossas ferramentas mais poderosas para quebrar preconceitos. Elas nos forçam a parar, a ativar o nosso córtex pré-frontal e a passar de reações automáticas para respostas ponderadas. Quando fazemos as perguntas certas, criamos espaço para reflexão e tomada de decisões mais objetivas.
A pergunta "Onde está o potencial viés nesta situação?" deve se tornar nossa pergunta principal sempre que tomamos decisões sobre pessoas. É simples, direta e incrivelmente eficaz para estimular uma reflexão mais profunda.
Mas também precisamos de perguntas que nos ajudem a questionar comentários tendenciosos quando os ouvimos. Em vez de confrontar alguém diretamente (o que muitas vezes leva à defensiva), podemos perguntar: "Como você sabe que isso é verdade?" "Como isso é relevante?" "O que você quer dizer com isso?" "O que te faz dizer isso?" ou "Por favor, me ajude a entender o que você acabou de dizer".“
Essas perguntas reduzem a atitude defensiva e, ao mesmo tempo, levam as pessoas a perceberem sua própria falta de objetividade. Elas criam momentos de aprendizado em vez de situações de confronto.
Aplicação no mundo real: o cenário de planejamento de sucessão
Deixe-me compartilhar um exemplo poderoso do meu trabalho de consultoria. Eu estava em uma reunião de planejamento de sucessão para uma empresa de cosméticos no Reino Unido quando um líder disse: "Ela acabou de dar à luz, não vai se interessar por uma missão internacional."“
Em vez de questionar essa suposição diretamente, perguntei: "Como você sabe que isso é verdade?". O líder fez uma pausa e admitiu que, na verdade, não sabia. Acontece que, quando finalmente a perguntaram, ela estava muito interessada em se mudar para outro país e tinha um parceiro que ficou feliz em acompanhá-la.
Este cenário ilustra como nossos vieses inconscientes podem nos levar a fazer suposições sobre as motivações, capacidades e interesses das pessoas com base em suas circunstâncias ou características. Ao fazer perguntas simples, podemos interromper essas suposições e tomar decisões mais informadas.
A técnica “Vire para testar”
Uma das técnicas de interrupção de preconceitos mais eficazes que já encontrei é a regra "Vire para testar", desenvolvida pela executiva de RH americana Kristen Pressner. Essa técnica envolve inverter mentalmente o gênero ou a identidade dos indivíduos envolvidos em uma determinada situação para testar se faríamos as mesmas suposições ou julgamentos.
Usei essa técnica durante uma reunião com uma empresa francesa de energia. O Diretor de Pessoas não estava convencido da necessidade de promover a diversidade de gênero em sua organização. Ele disse: "Trabalhei para uma empresa cuja CEO era uma mulher, e foi um desastre completo. Não é verdade que mais mulheres no topo levam a melhores resultados."“
Em vez de discutir com ele, apliquei a regra do "Vire a página para testar". Perguntei: "Você teria feito a mesma generalização se o CEO fosse um homem? Você teria dito: 'Trabalhei para uma empresa cujo CEO era um homem, e foi um desastre completo. Não é verdade que mais homens no topo levam a melhores resultados'?"“
Naquele momento, ele percebeu o quão insidiosos os preconceitos podem ser. Esse reconhecimento nos permitiu avançar com a iniciativa de equilíbrio de gênero, pois ele conseguiu enxergar claramente seus próprios preconceitos.
Distinguir entre “não profissional” e “diferente”
Outra pergunta poderosa que podemos usar é: "Esse comportamento ou aparência é pouco profissional ou apenas diferente do que estamos acostumados?" Essa pergunta nos ajuda a distinguir entre os padrões profissionais reais e nossas preferências pessoais ou preconceitos culturais.
Uma amiga minha, que trabalha em uma grande companhia aérea europeia, compartilhou uma conversa que teve com um colega sobre a contratação de um candidato. O colega ficou incomodado com o penteado afro do candidato, que ele considerou pouco profissional. Usando essa técnica de questionamento, eles perceberam que o penteado era certamente diferente do que ele estava acostumado, mas não tinha correlação com a capacidade da pessoa para o trabalho.
Essa distinção entre "não profissional" e "diferente" é crucial para líderes inclusivos. Devemos examinar constantemente se nossos padrões são realmente baseados em competência profissional ou simplesmente em conformidade com nossas próprias expectativas e experiências.
Usando exemplos contra-estereotipados
Outra maneira poderosa de desafiar preconceitos é encontrar exemplos contra estereotipados e modelos positivos. Quando nos deparamos com objeções baseadas em preconceitos, muitas vezes podemos interrompê-las fornecendo exemplos concretos que contradizem os estereótipos subjacentes.
Certa vez, participei de uma reunião de avaliação de talentos onde um homem estava sendo considerado "jovem demais" para uma promoção. Um dos participantes apresentou vários exemplos de pessoas da mesma idade que haviam sido promovidas para cargos semelhantes e estavam apresentando bom desempenho. A idade então deixou de ser um problema nas discussões.
Essa técnica funciona porque nos leva de estereótipos abstratos a exemplos concretos. É mais difícil sustentar suposições tendenciosas quando confrontados com evidências que as contradizem.
Descobrindo padrões por meio da análise de dados
Embora perguntas e técnicas nos ajudem a quebrar vieses no momento, também precisamos dar um passo para trás e observar padrões em nossa tomada de decisão ao longo do tempo. Nossos vieses frequentemente se revelam por meio de padrões consistentes que são invisíveis para nós no dia a dia, mas que se tornam claros quando examinamos os dados.
Como líderes inclusivos, devemos nos perguntar regularmente: nos anos anteriores, quem foram as pessoas que contratamos e promovemos? Quem foram as pessoas que receberam as atribuições de maior destaque? Quem deixou nossas equipes? Existe algum padrão que possamos identificar? Há alguma semelhança nos perfis?
Devemos analisar nossas métricas pelo menos uma vez por ano ou em momentos-chave, como antes de contratações, avaliações de talentos, avaliações anuais de desempenho e reuniões de calibração. As métricas básicas a serem examinadas incluem a representação por gênero, idade e etnia (ou quaisquer dados de diversidade disponíveis) por nível, em recrutamento, promoção, rotatividade, desempenho e engajamento.
Procurando Proporcionalidade e Lacunas
Ao analisar nossos dados, devemos buscar a proporcionalidade. Por exemplo, se os homens representam 30% da nossa equipe, esperaríamos que eles representassem aproximadamente 30% das promoções. Se houver uma discrepância significativa, precisamos investigar o porquê.
Também devemos procurar lacunas. Por exemplo, se as pontuações de engajamento de pessoas com mais de 50 anos forem muito mais baixas do que as de outras faixas etárias, devemos investigar os motivos. Se as taxas de rotatividade de pessoas de minorias étnicas forem maiores, precisamos descobrir o porquê.
Um dos meus clientes, um fabricante italiano de alimentos, identificou uma clara lacuna de desengajamento entre funcionários que cuidam de outras pessoas, tanto crianças quanto pais. Essa descoberta levou a empresa a reformular suas políticas de trabalho flexível e voltadas para a família, resultando em maior engajamento e retenção.
Tornando a interrupção tendenciosa uma prática diária de liderança
A chave para uma interrupção eficaz de preconceitos é torná-la parte regular da nossa prática de liderança. Não podemos usar essas técnicas apenas ocasionalmente – precisamos incorporá-las à nossa rotina diária e aos nossos processos de tomada de decisão.
Isso significa perguntar "Onde está o viés potencial nesta situação?" em todas as decisões relacionadas a pessoas. Significa usar a técnica "Vire para testar" quando ouvimos comentários potencialmente tendenciosos. Significa revisar regularmente nossos dados para identificar padrões e lacunas.
Mais importante ainda, significa criar ambientes psicologicamente seguros onde essas conversas possam acontecer de forma aberta e construtiva. Quando modelamos esse comportamento como líderes, damos aos outros permissão para fazer o mesmo.
O efeito cascata da interrupção de viés
Quando praticamos consistentemente técnicas de interrupção de vieses, criamos um efeito cascata em todas as nossas organizações. Modelamos o tipo de liderança ponderada e reflexiva que outros desejam imitar. Criamos culturas onde o viés é discutido abertamente em vez de ocultado, onde as perguntas são bem-vindas em vez de temidas e onde os dados são usados para impulsionar decisões mais inclusivas.
Não se trata apenas de sermos pessoas melhores – embora isso certamente faça parte. Trata-se de sermos líderes mais eficazes, que tomem decisões melhores, construam equipes mais fortes e criem ambientes onde todos possam contribuir com seu melhor trabalho.
As técnicas que compartilhei não são teóricas – são ferramentas práticas que funcionam em situações reais de liderança. Elas foram testadas em reuniões de diretoria, avaliações de desempenho e reuniões de contratação em diversos setores e culturas. Elas funcionam porque se baseiam em um princípio simples: quando paramos para questionar nossas suposições e examinar nossos padrões, tomamos decisões melhores.
Como líderes inclusivos, temos o poder de romper preconceitos – em nós mesmos e em nossas organizações. Temos as ferramentas para criar ambientes mais equitativos e inclusivos, onde todos possam prosperar. A questão não é se conseguimos fazer esse trabalho – mas sim se o faremos.
Obrigado pela leitura. Por favor, deixe-me saber sua opinião nos comentários!
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Este artigo é uma adaptação do meu próximo livro, Practising Inclusive Leadership.
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