Diversidade religiosa

3 conceitos-chave para criar um ambiente de trabalho favorável à fé (parte 1 de 3)

“Eu queria que houvesse uma religião que não deixasse as pessoas odiarem ou machucarem umas às outras.”

—George Sand

Esta é a primeira parte de uma série de três blogs que explora a diversidade religiosa: conceitos-chave, fatos, barreiras e facilitadores. Embora este seja um tema com muitas implicações legais, estou me concentrando no conhecimento e nos comportamentos de liderança, além dos requisitos legais mínimos, que o capacitarão a atrair e engajar pessoas de todas as religiões, incluindo pessoas sem religião.

Hoje, vamos analisar três conceitos-chave para criar um ambiente de trabalho favorável à fé.

As sociedades são cada vez mais multiculturais e com diferentes culturas surgem diferentes crenças religiosas.

Três tendências fazem da diversidade religiosa um tópico importante para os líderes empresariais hoje:

  • As sociedades estão cada vez mais multiculturais e, com culturas diferentes, surgem religiões diferentes.
  • Cada vez mais pessoas querem se expressar plenamente no ambiente de trabalho. Para muitos, especialmente os membros de minorias étnicas, a fé e a prática religiosa são aspectos importantes de sua identidade.
  • Ao mesmo tempo, a intolerância religiosa está aumentando. Por exemplo, o medo de perseguição afeta judeus em toda a Europa, com 23% de judeus entrevistados em oito países europeus afirmando que evitavam eventos ou locais judaicos por temerem por sua segurança.[eu]

Religião é um tema historicamente sensível, visto que muitas guerras e tragédias relacionadas à religião ocorreram no passado. O desconforto causado pela diversidade religiosa pode ser particularmente forte em países com tradição secular, como a França, onde manifestações religiosas públicas podem ser desaprovadas pela população em geral. Recentemente, participei de uma conferência em Paris sobre religião no local de trabalho. A maioria dos palestrantes abriu suas apresentações afirmando que a diversidade religiosa era um trunfo. No entanto, a maioria deles falou sobre as práticas religiosas como um risco a ser gerenciado.

Conceitos-chave

1- Liberdade religiosa

A liberdade religiosa é o direito humano fundamental de acreditar ou não em uma religião. O direito de não ser discriminado por motivos religiosos também é um direito humano universal. Mas há uma distinção importante entre o direito de acreditar e o direito de praticar uma religião. O direito de acreditar é absoluto: você é totalmente livre para acreditar ou não em qualquer sistema de crenças que desejar. O direito de praticar religião no local de trabalho pode ser limitado em determinadas circunstâncias (veja abaixo).

2- Discriminação indireta

Este conceito é particularmente relevante no que diz respeito à diversidade religiosa, embora se aplique a todos os tipos de diversidade. Isso acontece quando uma prática que se aplica a todos prejudica pessoas de uma determinada religião. Por exemplo: ao introduzir um uniforme que não permite o uso de véus, você estaria discriminando indiretamente mulheres muçulmanas que usam hijab ou sikhs que usam turbante.

3- Acomodações razoáveis

Em muitos países, os empregadores são obrigados a acomodar as práticas religiosas dos funcionários, a menos que isso crie dificuldades indevidas para eles. Como líder inclusivo, você deve tentar acomodar as necessidades religiosas dos funcionários o máximo possível. O que é razoável varia, dependendo do país onde você está e da função do funcionário. Mas existe uma estrutura simples que você pode usar na maioria dos casos. Fazer a si mesmo as seguintes perguntas pode ajudá-lo a determinar se uma acomodação é razoável:

  1. Isso afeta negativamente a capacidade do funcionário de fazer seu trabalho? Usar um hijab geralmente não afeta a capacidade de uma pessoa de fazer seu trabalho.
  2. Isso impacta negativamente o negócio? Esse seria o caso se muitas pessoas pedissem folga no mesmo dia por motivos religiosos, deixando os clientes desacompanhados.
  3. Isso compromete a saúde, a segurança ou a proteção? Na França e no Canadá, por exemplo, em canteiros de obras, todos são solicitados a usar capacete por razões de segurança, incluindo os sikhs.
  4. Isso prejudica outros funcionários ou clientes? Se um funcionário quiser rezar durante seu intervalo em uma sala silenciosa, isso geralmente não prejudica ninguém.
  5. Isso viola as leis de igualdade? Esse seria o caso se um funcionário se recusasse a obedecer a uma gerente por motivos religiosos, ou se um funcionário se recusasse a trabalhar com um colega gay por motivos religiosos.
  6. Isso viola a liberdade de crença de outros funcionários? Uma amiga me contou que, na equipe dela, no Brasil, os funcionários evangélicos sintonizavam a rádio evangélica todo horário de almoço. Ela educadamente pedia para quem quisesse ouvir a rádio usar fones de ouvido, em respeito aos que não eram evangélicos. Ela tinha um bom reflexo.

Ao considerar uma prática religiosa, faça a si mesmo as perguntas acima. Se a sua resposta for "não" a essas perguntas, não há motivo para não acomodar a prática religiosa de um funcionário. Para sua segurança, sempre consulte sua equipe de recursos humanos.

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Este é um trecho de um dos capítulos do meu livroTenha sucesso como um líder inclusivo – Hábitos de liderança vencedores em um mundo diverso”. Você pode baixar gratuitamente o capítulo de amostra “Apoiando a integração entre vida profissional e pessoal” clicando aqui.

Este artigo foi publicado no meu blog e no Huffington Post. Para receber meus artigos e atualizações diretamente na sua caixa de entrada, inscreva-se no meu boletim informativo.

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SOBRE O AUTOR

COMPOSTO THAIS é autora, palestrante, instrutora e consultora premiada, especializada em inclusão e diversidade há 18 anos. Ela ajuda organizações a construir culturas inclusivas e equipes diversas para que possam aumentar o engajamento, a produtividade, a inovação e as vendas. Ela é CEO da Déclic International, uma consultoria global que criou em 2016, após liderar as estratégias de inclusão e diversidade de três empresas da Fortune 500. Ela também é autora do livro livro “Tenha sucesso como um líder inclusivo”, palestrante do TEDx, fundador da 1s Inclusive Leadership Global Conference e colaborador regular do Huffington Post.

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